Sá & Guarabyra's poetry

A poesia de Sá, Rodrix & Guarabyra

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POESIA

- Cheiro Mineiro de Flor
- Dona
- Dia após dia
- Roque Santeiro
- Peixe voador

 

Primeira Canção da Estrada -
Ziriguidum tchan -
Rio Bahia -
Quem saberia perder -
Pirão de peixe com pimenta -

 

Cheiro Mineiro de Flor
Sá & Guarabyra

Quero te ver chegando
no meio das serras, de manhã
entre o brilho das matas e a calma da terra ver
em flor, nosso lar
em flor, nosso amor
esperando na porta da casa
que o tempo não venceu
como se fosse tudo no mundo só teu e meu
sentir sem parar arder esse amor

difícil é viver longe
desse teu cheiro mineiro de flor
difícil é viver longe
desse teu cheiro mineiro de flor
difícil é viver longe desse teu cheiro mineiro 
longe desse teu cheiro mineiro de flor ô, ô, ô, ô

Acredito naquilo que corre
no sangue de nós dois
tenho fé no que ainda precisa chegar depois
o dom e o lugar de dar nosso amor
como planta crescendo
sem chuva no meio do verão
ter guardada a esperança dentro do coração
o som que será canção e calor

difícil é viver longe
desse teu cheiro mineiro de flor
difícil é viver longe
desse teu cheiro mineiro de flor
difícil é viver longe desse teu cheiro mineiro 
longe desse teu cheiro mineiro de flor ô, ô, ô, ô.

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Dona
Sá & Guarabyra

Dona desses traiçoeiros
sonhos sempre verdadeiros
Dona desses animais
Dona dos teus ideais

Pelas ruas onde andas,
onde mandas todos nós,
somos sempre mensageiros
esperando tua voz
teus desejos uma ordem,
nada é nunca, nunca é não,
porque tens essa certeza
dentro do teu coração.
Tan tan tan, batem na porta
não precisa ver quem é
prá sentir a impaciência
do teu pulso de mulher.
Um olhar me atira à cama,
um beijo me faz falar,
não reclamo, não me escondo,
porque sei que és minha Dona

Refrão

Não há pedras em teu caminho
não há ondas no teu mar
não há vento ou tempestade
que te impeçam de voar.
Entre a cobra e o passarinho,
entre a pomba e o gavião,
o teu ódio e teu carinho
nos carregam pela mão.
É a moça da cantiga,
a mulher da criação,
umas vezes nossa amiga,
outras nossa perdição.
O poder que nos levanta,
a força que nos faz cair.
Qual de nós inda não sabe
que isso tudo te faz Dona


Dia após dia
Sá & Guarabyra

Desde que você se foi,  eu não sei mais
como me esconder do sofrimento.
Não encontro tempo de viver em paz.
Lembro de você todo momento,
as pequenas coisas dessa nossa casa
são memórias, são histórias que eu invento,
prá fingir que existe aqui alguma brasa,
entre as cinzas do que foi aquele tempo

E é assim que, dia após dia
eu procuro me esconder da realidade
Em meu quarto eu chor tanto, amor.
Eu te peço, não me mate de saudade.

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Roque Santeiro
Sá & Guarabyra

Dizem que Roque Santeiro,
um homem debaixo de um santo
Ficou defendendo o seu canto e morreu
Mas sei que ainda é vivente
na lama do rio corrente
Na terra onde ele nasceu

E no A, B, C do Santeiro
O que diz o "a", ?
O "a" diz adeus à matriz
O que diz o "b" ?
O B é batalha de morte
O que diz o C ?
Coitado do povo infeliz

O "d" diz que Roque Santeiro
não pôde ver seu povo em pranto
Com a vida defendeu seu canto e morreu
Mas sei que ele é vivente,
abençoa o povo crente
Até quem não lhe socorreu.

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Peixe Voador
Sá & Guarabyra

Coisas que você nunca pensou fazer
aparecem na cabeça em noites de verão.
O vento morno, o vôo das mariposas
dão força de vida à imaginação.
O corpo quente, o corpo nu de repente
faz bater as asas do coração.
Noites quentes de verão,
quem não tem o que contar do mar.
Loucas investidas contra a solidão e depois
o suor bendito do amor.
O melhor da vida faz voar, faz calor.
Noites quentes de verão,
quem não se entregou sob o luar.
Quem não pensou em beber o mel do mar
e depois virar um peixe voador.
O melhor da vida faz voar, faz calor.

Primeira Canção da Estrada
Sá & Zé Rodrix
Apesar de minhas roupas rasgadas
acredito que vá conseguir
uma carona que me leve pelo menos
à cidade mais próxima
onde ninguém vai me olhar de frente
quando eu tocar na velha guitarra
as canções que eu conheço
Eu tinha apenas 17 anos
no dia em que saí de casa
e, não fazem mais de 4 semanas
que eu estou na estrada
mas encontrei tantas pessoas tristes
desaprendendo como conversar
que parece que eu estou carregando
os pecados do mundo
que parece que eu estou carregando
os pecados do mundo
que parece que eu estou carregando
os pecados do mundo
que parece que eu estou carregando
os pecados do mundo.

Ziriguidum Tchan
Sá & Guarabyra
Nova Iorque é ali, tão perto daqui
O piloto sorri, lá se vai o avião
Eles são o que rola
Eles fazem a moda
Nova Iorque é mais perto que o Sertão
Nova Iorque é ali, tão perto daqui
Oito horas de vôo e ilusão
Nós pisamos na bola,
eles ganham em dólar
Nova Iorque é mais perto que o Sertão
Crack, rap, hip hop, rock
Walk, don´t walk, now
Ziriguidum tchan
Se a viagem nos faz
brasileiros demais
cucarachas gerais na multidão
Essa ilha sem paz
Não se importa jamais
Nova Iorque é mais perto que o Sertão
Escondidos no fundo
do umbigo do mundo
Joe nunca se encontra com João
Eles não se interessam
Eles não se conversam
Nova Iorque é mais perto que o Sertão
Crack, rap, hip hop, rock
Walk, don´t walk, now
Ziriguidum tchan
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Rio Bahia
Sá & Guarabyra
De Janeiro, São Francisco
Rio certo, rio errado
Um salgado, outro doce
na cidade, no cerrado
De Janeiro, São Francisco
corta Minas pelo meio
uma estrada complicada
passa por aqui
Tanta coisa eu vi
desde Pirapora ao Corcovado.
Tanta coisa eu vi
flor do mar, vapor desatracado
Tanta coisa eu vi
de Ipanema até Pilão Arcado,
nessa travessia do Rio à Bahia
De Janeiro, São Francisco
de cimento, de barranco
Guanabara, Tabuleiro,
carro velho, jegue manso
De Janeiro, São Francisco
corta Minas pelo meio
uma estrada complicada
passa por aqui
Refrão

Quem Saberia Perder
Sá & Guarabyra
Desde pequeno eu estou por aqui
Na mesma vida que eu sempre aprendi
Bicho de rio e de mato
Peixe criado em lagoa
Voa tristeza , voa vento, voa tempo, voa
O cavaleiro da estrada sem fim
O contador de uma estória de mim
Vivo do que faz meu braço
Meu braço faz o que a terra manda
Voa tristeza , voa vento, voa tempo, voa
Mas qual de nós não carrega
No peito um segredo de amor escondido
Diga quem nunca levanta de noite
Querendo de volta o perdido ou, ou, ou, ou
Quem saberia perder, ou, ou, ou, ou
Quem saberia perder.

Pirão de peixe com pimenta
Sá & Guarabyra
Carne de sol, pirão de peixe com pimenta
e uma boa Januária
completando a refeição.
Dizendo assim até parece que é mentira
de Sá & Guarabyra,
coisa de imaginação.
Mas de Santana a Ibotirama
vi passar gato do mato
tatu-bola,
vi voar o gavião.
Atravessando 4 vezes esse rio
de barranco pra barranco,
lama, pedra e areião.
Eh, parada em Carinhanha
eh, Zé Sales, nosso irmão
eh, ranchão de Correntina
eh, paizão de Alemão.
Vamos voltar no próximo verão,
(o Quincas nos espera prá inauguração!)
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José Roberto Miccoli
mikkolee@uol.com.br