Pena Branca e Xavantinho: life and work

Pena Branca & XavantinhoPena Branca & XavantinhoPena Branca & Xavantinho

 

 

 


Atualizada em 12 out 2002
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CONTEÚDO

violeiros

PERFIL

 

 

José Ramiro Sobrinho - Pena Branca  *em 1939, Igarapava, SP
Ranulfo Ramiro Silva - Xavantinho *em 1942, Cruzeiro dos Peixotos, MG   +em 08/out/1999, São Paulo,SP

Desde crianças eles demonstravam a paixão pela música, incentivados pela mãe, D. Dolores. Criados na roça com cinco irmãos, José Ramiro aprendeu "de orelha" no cavaquinho do pai antes de passar para a viola. No início do ano de 1958, são chamados pela rádio Educadora de Uberlândia a participar de um programa. O locutor pergunta o nome da dupla, e imediatamente José Ramiro responde ser José e Ranulfo. O locutor responde então, que aquilo não era nome de dupla e sugere que adotassem um apelido. Assim nasceu a dupla Peroba e Jatobá, que logo depois passaria a ser Zé Miranda e Beira Mar. Pouco depois, mudam novamente para Xavante e Xavantinho, uma homenagem ao índio brasileiro. Nessa época, os dois irmãos continuam paralelamente a trabalhar como carregadores, empregos que possibilitaram a compra de violas novas, e seguiam tocando em todos os lugares, não recusando nenhum convite. Xavantinho também começa a escrever suas primeiras letras. A carreira toma rumo profissional e eles formam o Trio Pena Branca, junto com o sanfoneiro Pinagi. Em 1964, o trio se apresenta em cidadezinhas no interior do estado de Goiás.
Em 1970, buscando sucesso e fama, rumam para São Paulo, onde as dificuldades continuam, assim como a necessidade de tocar por alimento ou para pagar o alojamento. Mas, a situação começa a mudar. Conquistam, nesse ano, o quarto lugar em um festival promovido pela Rádio Cometa e são convidados a participar da gravação de um compacto, com a música vitoriosa, "Saudade". Mas, na hora que vão receber o prêmio têm uma surpresa… "Na hora que a gente foi receber o prêmio um cara chegou pra nós e disse que Xavante era nome artístico dele e estava registrado. Quis vender o nome pra gente, mas nós não quisemos, eu então subi no palco e avisei que a partir daquele momento nós seríamos Pena Branca e Xavantinho", conta Pena Branca. Em 1975, entram para a orquestra Coração de Viola, em Guarulhos.
Em 1980, quando se inscrevem, no Festival MPB - Shell da Rede Globo de Televisão, com a música "Que Terreiro é Esse?", composta pelo XAVANTINHO e classificada para a final. No mesmo ano a dupla lançou o seu primeiro LP 'Velha Morada', pela WEA/Rodeio, que os tornou conhecidos dos amantes da música sertaneja de raiz. Em 1981, tiveram várias participações no programa "Som Brasil" da Rede Globo, apresentado por Rolando Boldrin, com passaram a excursionar pelo Brasil. Em 1982, assinam com a RGE e lançam o 2º disco: 'Uma Dupla Brasileira', que os tornou conhecidos do grande público. Foi então que, Tavinho Moura (Clube de Esquina), ao ouvir a versão da dupla de 'Cio da Terra' de Milton Nascimento e Chico Buarque, se impressionou com ela, levou-a ao conhecimento de Milton, que decidiu cantar com a dupla no programa da rede Globo, Som Brasil. O sucesso foi tanto que 'Cio da Terra' virou o nome do 3º disco de Pena Branca & Xavantinho, em 1987, pela Continental, produzido por Tavinho. O álbum foi considerado um dos melhores do Brasil, pela crítica e acabou sendo o maior sucesso da dupla. Em 1988, com a participação especial de Fagner, Tião Carreiro, Almir Sater, Oswaldinho do Acordeon e Tavinho Moura, novamente, saiu o novo disco, 'Canto Violeiro'.
Em 1990 é lançado o quinto trabalho da dupla "Cantadô de Mundo Afora", pela Continental. Em 1991 recebem pela primeira vez o Prêmio Sharp de Música, categoria regional com os prêmios Melhor Dupla, Melhor Música: "Casa de Barro" (Xavantinho/Moniz) e Melhor Disco: "Cantadô de Mundo Afora". Em 1993, durante um show em Tatuí, foi gravado um dos mais bonitos trabalhos da dupla junto com Renato Teixeira, outro sertanejo de raiz. O disco "Renato Teixeira e Pena Branca & Xavantinho ao vivo em Tatuí", gravado pelo selo Kuarup, reafirmou a posição da dupla, de cantar músicas mais modernas, sem trair suas origens sertanejas, que é sua marca registrada, tendo sido recompensados com o recebimento do premio Sharp de música, pelo segundo ano consecutivo. Em 1993 a dupla lança ainda o sétimo trabalho: "Violas e Canções" pela gravadora Velas, com canções como "O ciúme" de Caetano Veloso e "A Estrada do Sertão" de João Pernambuco e Hermínio Bello de Carvalho.
Em 1995, ainda pela Velas, sai o oitavo trabalho da dupla: "Ribeirão encheu", com produção de Tavinho Moura e Geraldo Viana. É neste disco que está "Oração de Camponês" de Xavantinho, uma das mais belas poesias da música brasileira. "Pingo D'Água", de 1996, também pela Velas e com produção de Kapenga, traz "Tristeza do Jeca", "Flor do Cafezal", "Romaria" e uma regravação de "Cio da Terra". Em 1997, a dupla Pena Branca & Xavantinho, ganhou o seu 5º Prêmio Sharp, na categoria Melhor Dupla Sertaneja, Pena Branca & Xavantinho não tem a divulgação de seu trabalho, no Brasil, na intensidade que merecem, talvez por não se adequarem ao padrão 'moderno', imposto pela mídia e pela gravadoras, à música sertaneja. Mas quem ouve seus CDs, ou teve a oportunidade de vê-los (recentemente se apresentaram no programa da TV Cultura, Bem Brasil e existe uma performance antológica no programa Ensaio da mesma TV), não consegue deixar de considerá-los, uma das melhores duplas sertanejas de todos os tempos, equiparável à Tonico & Tinoco, Liu & Léu ou Raul Torres & Florêncio. Como bem disse, outro ícone da música de raiz, Inezita Barroso: "eles fazem música caipira e não música sertaneja".
O CD, "Coração Matuto", 14º da dupla, (contando-se as coletâneas) promove uma viagem pelo interior do Brasil. Em suas 13 faixas, além de regravações, como "Lambada de Serpente" de Cacaso e Djavan, "Morro Velho" de Milton Nascimento, "Vida no Campo" de Juraildes da Luz e "Planeta Água" de Guilherme Arantes, o disco traz canções próprias como "Carreiro Velho" de Xavantinho, num vasto campo de estilos. Seu repertório sempre incluiu da moda de viola à marujada, da toada ao arrasta-pé, passando pelo cateretê, cantiga, lamento, batuque e seresta. E, além disso, por verdadeiramente modernizar o estilo, é possível ouvir em seus CDs, artistas, em participações especiais, dos mais variados estilos como Milton Nascimento, Ná Ozzetti, Renato Teixeira, Oswaldinho do Acordeon e Túlio Mourão. A presença de interpretações da dupla em coletâneas de música popular brasileira, para divulgação internacional, dá a medida do conceito que Pena Branca & Xavantinho tem.
Xavantinho morreu no dia 8 de outubro de 1999, de insuficiência respiratória, deixando um imenso vazio na música popular brasileira.
Acaba de ser lançado o primeiro trabalho de Pena Branca, após a morte de Xavantinho, que tem o nome de "Semente Caipira". O CD tem participação especial de Inezita Barroso, e apresenta 8 canções inéditas e clássicos da música como "Maringá" de Joubert de Carvalho e "Correnteza" de Tom Jobim e Luís Bonfá. Pena Branca tem se apresentado com Renato Teixeira, no trabalho de divulgação do novo disco.
Finalmente está sendo criado o site oficial de Pena Branca. Esperamos para breve o seu lançamento e vamos incluir o link imediatamente.
O cd "Semente Caipira" foi indicado como melhor álbum de música caipira no Grammy Latino 2001 e apesar de não ter conseguido abocanhar o premio, fica demonstrada mais uma vez a qualidade do som e do repertório do artista.


Ideologia

'E hoje, sem terra e sem moradia, vive na periferia, solitário e sem razão. Agora nem João, nem Maria, só revoltas todo dia, na procura do seu chão.'
Rancho triste - Xavantinho
'Esse chão abençoado, tão disposto a céu aberto, esquecido pelo homem, agora vira um deserto. São pedaços de riquezas devoradas pela peste. Veio a seca e tomou conta do sertão do meu Nordeste.'
Queimadas - Xavantinho
'A vida passa e o tempo voa. As coisas boas também se vão, a santa reza já não entoa, a fé cega não tem razão. Meu gado baio foi só um sonho, a cavalgada está contra-mão. Meu campo certo ficou deserto no manifesto, na criação.'
Estrada - Xavantinho
'E lá vai o trem. Vai na estrada norte sul de meu país. E vai levando, e vai levando. Infelizmente a canção assim me diz, quem vai nesse trem tem quase nada, e não pode nem sonhar. E vai levando, buscando a sorte, a vida toda procurando se encontrar.'
Trem das Gerais - Xavantinho
"Carreiro velho olha a canga do seu boi, chora a saudade do tempo que já se foi. Naquela estrada já não passa mais boiada, ficou triste abandonada, que nem eu, tão infeliz. E o velho carro, corroído pelos anos, vai aos poucos definhando, qual o canto da perdiz."
Carreiro velho - Xavantinho


LINKS NA NET

http://www.comunidata.com.br/viola/violeiros/penabranca/pena.htm   - site novo com destaque para os violeiros

http://www.brazil-brasil.com/musdec95.htm   - artigo americano sobre música sertaneja, elogiando a dupla

MPBNet - página da dupla no MPBNet

http://www.terravista.pt/nazare/2554/penab.html   - site sobre música sertaneja - Viola

http://www.brasil.terravista.pt/PraiaBrava/2878/pena.html   - site sobre música sertaneja, com página da dupla

http://jangadabrasil.com.br/novembro15/al15110a.htm   - site com muitas letras da dupla - Jangada Brasil

 

Contatos par show com Pena Branca:
Fernando Prado
Departamento de Produção
grupontape@grupontape.com.br

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José Roberto Miccoli
mikkolee@ieg.com.br