Cascatinha e Inhana: life and work

Cascatinha & Inhana Cascatinha & Inhana Cascatinha & Inhana

 

 


Atualizada em 05 out 2002

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CONTEÚDO

 

PERFIL

Cascatinha * em 20/abril/1919 em Araraquara - SP  em 14/março/1996
Inhana       * em 28/março/1923 em Araras - SP em 11/junho/1981

Cascatinha (Francisco dos Santos) nasceu numa fazenda chamada Cafelândia, filho de carroceiro, que tocava um pouco de sanfona. É essa a única referencia artística em sua família, já que ninguém mais, a não ser ele, chegou a demonstrar atração pela música. Com 5 anos de idade, perde o pai. Sua mãe teve 5 filhos do primeiro casamento e 6 do segundo. Com 10 anos, Cascatinha muda-se para Marília, que se chamava Alto Cafezal, na época. Mora também em Garça, cidade da mesma linha férrea, e recebe na escola primária esse apelido, já que gostava de banhar-se numa pequena cascata.
Volta a morar em Marília, labutando como servente de pedreiro. É admitido na banda local, como tocador de caixa, mercê do seu sentido rítmico. Dono de apurado ouvido musical, recolhia os sucessos que ouvia no rádio e os reproduzia, assobiando, para o mestre da banda escrevê-los no papel. Como baterista, animava os bailes da cidade, num conjunto formado por músicos da banda. Nessa ocasião, quando tinha 18 anos, passa pela cidade o Circo Nova Iorque, que precisava de um baterista. Depois de dar sua colaboração, Cascatinha, segue viagem com a troupe nessa função. Aos poucos, vai revelando suas qualidades de intérprete, cantando sambas e serenatas e também fazendo dupla com Chopp, o paraibano Natalício Fermino dos Santos, também malabarista. Sentindo que estaria sempre na dependência de quem se dispusesse a acompanha-lo, resolve aprender violão.
Em 1941, na passagem do circo pela cidade paulista de Araras, vem a conhecer uma jovem e bonita filha da terra, Ana Eufrosina da Silva, considerada a cantora da cidade, atuando com a irmã Maria das Dores no Jazz - Band de Araras, com mais dois irmãos, um na bateria e outro no contrabaixo.
O primeiro encontro deu-se na praça central, ao redor do serviço de alto-falante, no qual Cascatinha também cantava para promover o circo. Nessa época, Inhana estava noiva há mais de um ano, logo depois rompia o relacionamento para ficar com Cascatinha. Do namoro para o casamento, foram apenas 5 meses, uma pressa que se justificava porque artista de circo não tinha parada e portanto não inspirava muita confiança quando às verdadeiras intenções. Temor infundado: seria um casamento sólido e feliz de 40 anos, com um filho adotivo. O casamento ocorreu em 25 de setembro de 1941.
No ano seguinte, Chopp e Cascatinha partem sozinhos para a sorte no Rio de Janeiro, onde alugam casa e se fixam por mais de um ano. Ana, que logo se reúne a Cascatinha. O trio, que se chamava Trio Esmeralda  canta em pavilhões e circos e também em programas de calouros - Paulo Gracindo, Manoel Barcelos, Ary Barroso e Renato - abocanhando prêmios em dinheiro, muito benvindos naquela situação.
Em 1942, na cidade de Volta Redonda, ponto de algumas apresentações, um desentendimento ocasiona o afastamento de Chopp. Cascatinha prossegue com Ana, e surge a dupla que todo o Brasil haveria de aplaudir. Para dar um acento mais sertanejo, rebatiza-a de Inhana, apelido com o qual não era chamada nem no ambiente familiar, mas como são comumente chamadas as Anas em nosso interior. Em Volta Redonda mesmo, são contratados pelo Circo Estrela Dalva e partem em excursão pelo interior paulista. Atuam em outros circos e, durante uns 5 anos, no Parque de Diversões Imperial. Quando este estaciona em Bauru, assinam contrato de um ano com a Rádio Clube. Isso em 1947. Já estavam cansados de tantas andanças e seria salutar uma pausa. Por causa desse compromisso, não puderam responder a convite anterior da Rádio Tupi, de São Paulo, feito pelo radialista Homero Silva, que os apresentara no seu famoso programa Clube do Papai Noel.
Deixando Bauru, em 1948, vão para São Paulo, mas contratados pela Rádio América. No ano seguinte, por intermédio de Manezinho Araújo, conseguem se apresentar na Feira Folclórica que se realizava no Rio de Janeiro e reunia todos os grandes nomes do rádio brasileiro. É quando também cantam na Rádio Nacional.
Em 1950, transferem-se para a Rádio Record, nela permanecendo por 12 anos. A partir daí, firmam a carreira e lançam-se definitivamente para o sucesso. Em 1951, o famoso cantor e compositor Raul Torres convida Inhana para fazer acompanhamento nas gravações de Rolinha Correio e Pomba do mato, na Todamérica, gravadora na qual tinha influência.
Daí para a gravação do primeiro disco, nesse mesmo ano, foi um passo, e por intercessão do próprio Raul Torres, gravam na Todamérica, o 78 rpm inicial, com La Paloma e Fronteiriça, lançado em julho de 1951. Os dois discos seguintes seriam cantados penas por "Ana Silva (Inhana)". O 5º disco, porém, estaria destinado a ser um dos maiores fenômenos de venda em todos os tempos em nosso país. Trazia duas versões, as guarânias paraguaias Índia e Meu Primeiro Amor, com uma vendagem superior a 2.500.000 cópias, mesmo tendo sido também gravadas por outros intérpretes. Foi a primeira vez que um disco de música sertaneja atingiu tal vendagem. Um disco que jamais sairia do catálogo da Todamérica. Dele adveio o convite para o primeiro filme, Carnaval em Lá Maior, em 1955, no qual interpretaram os dois  sucessos. Engraçado que o disco tinha demorado a sair, porque o diretor artístico da Todamérica não queria, tendo de ceder ao reclamo dos ouvintes, que ouviram as músicas no seu programa na Rádio Record. Ganharam o Troféu Roquete Pinto em 1951, 1953 e 1954.
Na fase do 78 rpm, fizeram o total de 34 discos com 68 músicas, na Todamérica (1951 a 1956 e 1957 a 1960) e na Continental (1956 e 1961 a 1963). Com o advento do Lp, gravaram muitos, como, por exemplo, Vinte e Cinco Anos, em 1966, comemorando os 25 anos de carreira, e Dueto de Amor, em 1970. Durante um ano, Cascatinha foi diretor artístico da Todamérica, quando lançou duplas famosas, como Nonô e Naná e Zilo e Zalo.
Em 1978, no Teatro Alfredo Mesquita, em São Paulo, levam o espetáculo Índia, de muita repercussão, contando sua trajetória artística, que só seria interrompida com o falecimento de Inhana, aos 58 anos de idade, em São Paulo. Desde então Cascatinha passou a cantar sozinho, fixando-se primeiramente em Votuporanga e, depois em São José do Rio Preto, onde as apresentações que continuou fazendo, pois não se sentia bem, longe da música, duraram praticamente até a sua morte em 1996.
Uma dupla que, graças ao milagre da tecnologia, agora em CD, jamais será desfeita e jamais esquecida.


Ideologia

"Deixa a cidade formosa morena, linda pequena, e volta ao sertão, beber a água da fonte que canta, que se levanta do meio do chão."
Chuá chuá - Pedro de Sá Pereira/Ari Pavão

"A mata inteira fica muda ao teu cantar. Tudo se cala para ouvir tua canção, que vai ao céu numa sentida melodia. Vai a Deus em forma triste de oração."
Uirapuru - Jacobina/Murilo Latini

"Eu sei que esqueceste agora a colcha de retalhos. Agora na vida rica que estás vivendo, terás como agasalho colcha de cetim, mas quando chegar o frio no teu corpo enfermo, tu hás de lembrar da colcha e também de mim."
Colcha de retalhos - Raul Torres

 


LINKS NA NET

Trombeta - página da dupla no site CafeMusic

Cifra antiga - página da dupla no site Cifra Antiga

http://www.comunidata.com.br/viola/arquivo/arquivo7.htm    - relato de entrevista realizada em 1978, em São Paulo

http://www.revivendomusicas.com.br/biografias/nacionais9.php3   - página com dados sobre Inhana

http://www.revivendomusicas.com.br/biografias/nacionais31.php3   - página com dados sobre Cascatinha

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José Roberto Miccoli
mikkolee@ieg.com.br